Conteúdo atualizado em julho de 2026. Pesquisas de comportamento e dados de mercado são revisados periodicamente e podem mudar. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra, venda ou investimento.
Durante anos, repetiu-se que os jovens não queriam mais comprar imóvel. Que a geração do streaming preferiria assinar moradia como assina música. As pesquisas de 2026 dizem outra coisa: a Geração Z lidera a intenção de compra no Brasil, e o desejo pela casa própria segue firme.
O que mudou não foi o objetivo. Foi o caminho até ele, o produto desejado e a forma de escolher. E há um obstáculo que nenhuma mudança de comportamento resolve sozinho: a conta.
Este texto é informativo e não substitui análise individual de crédito, orçamento ou decisão de compra.
Quem são os Millennials e a Geração Z?
Pela convenção mais usada, os Millennials, ou Geração Y, nasceram aproximadamente entre 1981 e 1996: em 2026, têm entre 30 e 45 anos. Cresceram na transição do analógico para o digital e chegaram à vida adulta em meio a crises econômicas sucessivas.
A Geração Z nasceu aproximadamente entre 1997 e 2012: em 2026, os adultos desse grupo têm de 18 a 29 anos. São nativos digitais, pesquisam tudo antes de decidir e desconfiam de discurso pronto.
Uma ressalva de rigor antes dos números. Cada pesquisa usa um recorte etário próprio: há levantamentos que tratam a Geração Z como o grupo de 21 a 28 anos, outros como 18 a 24, e Millennials ora como 25 a 44, ora como 29 a 44. Os percentuais que você verá a seguir não são diretamente comparáveis entre si, porque medem grupos ligeiramente diferentes. Este artigo sempre indica de qual pesquisa vem cada número.
Por que essas gerações decidem o futuro do mercado?
Por peso demográfico. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 203 milhões de habitantes e a idade mediana subiu para 35 anos: as faixas mais numerosas da população estão concentradas entre os 20 e os 44 anos, e cerca de 45% dos brasileiros têm entre 15 e 44 anos.
Vale a precisão: faixa etária não é sinônimo exato de geração. O grupo de 15 a 44 anos captado pelo Censo inclui uma ponta da Geração X e deixa de fora os integrantes mais novos da Geração Z. Mas a mensagem central se sustenta: quem vai comprar, vender, alugar e financiar imóveis nas próximas duas décadas está majoritariamente nesses grupos. As preferências deles já moldam produto, comunicação e atendimento do setor.
O mito da preferência pelo aluguel
A tese de que os jovens abandonariam a propriedade caiu diante dos dados, e não de um dado só.
O levantamento da Brain Inteligência Estratégica do primeiro trimestre de 2026, com 1.200 entrevistas em todo o país, mostra que a intenção de compra de imóveis chegou a 49% das famílias, alta de cinco pontos percentuais sobre 2025 e maior patamar em um ano. Na Geração Z, considerada ali como o grupo de 21 a 28 anos, 59% pretendem comprar um imóvel, um salto de dez pontos em relação a 2025. A intenção de locação, no agregado, recuou de 23% para 21%.
O principal motivo declarado para a compra: sair do aluguel, resposta de 38%dos entrevistados, ante 32% um ano antes. Compra para investimento, alugar ou revender, aparece com 28%. Para boa parte dos jovens, o aluguel é etapa, não projeto de vida.
Pesquisa da Loft com a Offerwise, feita em meados de 2025 com mais de mil pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, aponta na mesma direção com recortes próprios: 29% dos Millennials (ali definidos como 25 a 44 anos) planejavam comprar imóvel nos 12 meses seguintes, contra 23% na Geração Z (18 a 24) e 22% na Geração X. Entre os mais jovens, 37% diziam que morar de aluguel é possibilidade, mas não o ideal.
E o estudo Retratos do Morar, do Ipsos-Ipec para QuintoAndar e Imovelweb, divulgado em 2026, acrescenta uma nuance que a manchete esconde: a Geração Z (18 a 28 anos) lidera a intenção de compra com 50%, acima da média nacional de 41%, enquanto entre os Millennials (29 a 44) o percentual é de 38%, abaixo da média. A geração mais jovem está mais determinada a comprar do que a anterior.
Se todos querem comprar, por que tantos seguem no aluguel?
Porque intenção não é transação. Entre o desejo e a escritura existem quatro barreiras concretas:
- Entrada. No Retratos do Morar, 41% dos entrevistados afirmam não ter dinheiro para a entrada ou para financiar. É a barreira número um.
- Preço. Outros 30% dizem que os imóveis subiram demais. Pelo Índice FipeZAP, o preço médio anunciado nas 56 cidades monitoradas chegou a R$ 9.853 por metro quadrado em junho de 2026, lembrando que o índice mede preços de anúncio, não de transação.
- Juros. A Selic está em 14,25% ao ano após o corte de junho de 2026. Mesmo em ciclo de queda, o financiamento segue caro, e a prestação define quem consegue comprar.
- Renda e trabalho. Vínculos mais instáveis, informalidade e carreiras não lineares dificultam a comprovação de renda que o crédito tradicional exige.
O resultado é o adiamento: o sonho não morreu, ficou mais caro. E o aluguel segue forte exatamente onde a compra ainda não cabe no orçamento. Na pesquisa da Brain, 41% da Geração Z manifesta intenção de alugar, contra 10% entre os Baby Boomers. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo: o jovem quer comprar e, enquanto não consegue, aluga.
O que essas gerações compram quando conseguem comprar
Aqui os dados da Brain citados pelo setor são diretos: as faixas até R$ 200 mil e de R$ 200 mil a R$ 400 mil concentraram quase 80% das transações no primeiro trimestre de 2026. A compra jovem é majoritariamente de entrada de mercado, e programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida têm papel relevante nessa porta de acesso: na pesquisa da Loft, 42% dos Millennials viam neles o caminho mais viável para a casa própria.
Isso explica três tendências apontadas pelos analistas ouvidos na cobertura do tema:
- verticalização nas capitais, com preferência clara por apartamento;
- mais vendas em faixas de preço menores, com produto financeiramente viável para quem sai do aluguel;
- investimento em locação, porque parte desse público seguirá alugando por algum tempo, e há investidor atendendo essa demanda.
Como Millennials e Geração Z escolhem um imóvel?
A localização continua sendo o principal critério, como sempre foi. O que mudou é o que se espera dela e do prédio.
O valor deixou de estar concentrado na unidade privativa, na lógica antiga de metragem, número de quartos, vaga e varanda. Hoje ele se distribui entre apartamento, prédio, serviços, bairro e experiência de uso. Pesam mais os itens que economizam tempo e simplificam a rotina:
- mobilidade e proximidade de transporte;
- conectividade e espaços para home office;
- coworking, academia, lavanderia compartilhada;
- lockers e espaços para delivery;
- áreas pet, bicicletário, minimercado;
- áreas de convivência que substituem metragem privada.
Nesse desenho, o imóvel compacto bem localizado, em condomínio com serviços, ganha espaço. Abrir mão de metros quadrados em troca de localização, mobilidade e preço adequado à renda passou a ser uma troca aceita, inclusive por famílias pequenas. O tamanho, por si só, deixou de ser mandatório.
Vale o contraponto que sempre fazemos por aqui: compacto não é bala de prata. Liquidez, vacância e concorrência de estoque variam por bairro, e um studio mal localizado sofre como qualquer produto mal posicionado.
Casa própria adiada não é casa própria abandonada
A leitura correta dos dados é de adiamento, não desistência. A sequência típica dessas gerações ficou mais longa: sair da casa dos pais, alugar perto do trabalho ou do estudo, estabilizar a renda, juntar a entrada, e só então comprar. O aluguel virou etapa funcional dessa trajetória, o que explica o aparente paradoxo de a mesma geração liderar a intenção de compra e a intenção de locação.
Para o investidor, isso desenha um ciclo claro: existe demanda de locação consistente vinda de quem ainda não comprou, e demanda de compra futura de quem hoje aluga. Os dois mercados se alimentam.
O que muda no aluguel enquanto a compra não vem?
Se o aluguel virou etapa, o produto de locação também muda. As tendências apontadas pelos analistas do setor para os próximos anos incluem:
- modelos de locação mais flexíveis, com prazos e condições menos engessados;
- contratos simplificados e digitais, com garantias sem fiador, como seguro-fiança e caução digital;
- processos totalmente online, da visita agendada por aplicativo à assinatura eletrônica;
- smart homes, com automação residencial e assistentes virtuais deixando de ser luxo para virar expectativa;
- soluções híbridas na jornada de escolher, alugar e depois comprar, muitas vezes dentro da mesma plataforma ou imobiliária.
Para o proprietário que aluga para esse público, a leitura é direta: imóvel conectado, contrato ágil e comunicação digital reduzem vacância. Burocracia desnecessária empurra o inquilino jovem para o concorrente.
Home office e sustentabilidade ainda pesam?
Sim, e os dois viraram critérios permanentes, não modismos de pandemia.
Espaços adaptáveis para trabalho remoto seguem entre os atributos mais valorizados, porque o trabalho híbrido virou rotina de parte relevante dessas gerações. Um segundo ambiente, uma varanda fechável ou um coworking no prédio resolvem o mesmo problema por preços diferentes, e o comprador jovem faz essa conta.
Sustentabilidade entra por dois caminhos: valor e bolso. Empreendimentos com atributos sustentáveis podem se tornar mais atrativos para parte dos consumidores, principalmente quando a eficiência energética alivia as contas do dia a dia. Painel solar, reúso de água e medição individualizada não são discurso: são condomínio mais barato todo mês.
Financiamento: como o comprador jovem se prepara
A barreira da entrada e da comprovação de renda tem caminhos práticos, e é aqui que a diferença entre desejo e escritura se resolve:
- FGTS: pode compor a entrada, amortizar ou abater parcelas, dentro das regras do fundo;
- programas habitacionais: o Minha Casa, Minha Vida cobre boa parte das faixas de preço em que a compra jovem se concentra, com juros menores que os do mercado;
- renda composta: financiar em dupla, com cônjuge ou familiar, amplia o teto de crédito;
- renda não tradicional: autônomos e profissionais de aplicativo conseguem comprovar renda com extratos, declaração de IR e faturamento, mas o processo exige organização prévia de 12 a 24 meses;
- simulação em mais de um banco: taxa, seguro e tarifas variam, e a diferença ao longo de 30 anos é relevante.
Nenhum desses caminhos dispensa a regra de ouro: a parcela precisa caber no orçamento com folga, considerando condomínio, IPTU e manutenção, e não apenas no limite aprovado pelo banco.
Como as imobiliárias precisam se adaptar?
O processo de busca mudou de lugar. As gerações Y e Z pesquisam em portais e redes sociais, comparam, leem avaliações, assistem a vídeos e buscam depoimentos reais antes de falar com qualquer corretor. Anúncio sozinho não convence: autenticidade, prova social e conteúdo educativo pesam mais que discurso comercial.
No atendimento, as expectativas são objetivas: resposta rápida, transparência, informação clara, comunicação digital e menos burocracia. A visita presencial não morreu, mas ela acontece depois de um funil digital que já eliminou a maioria das opções.
Para o proprietário que anuncia, a consequência prática: fotos profissionais, descrição honesta, preço realista e resposta ágil deixaram de ser diferencial. São o mínimo para permanecer na disputa.
O que a Dom Paiva Imóveis observa na prática
No atendimento da Dom Paiva, esse comportamento aparece todos os dias: clientes jovens chegam com pesquisa feita, comparáveis na mão e perguntas precisas sobre custo total, condomínio, liquidez e financiamento. O papel da imobiliária mudou de apresentador de imóveis para consultor de decisão.
Nosso trabalho com esse público envolve leitura de orçamento realista, simulação de cenários de financiamento junto aos bancos parceiros, curadoria de produto compatível com a renda, análise de liquidez do bairro e acompanhamento documental completo, com atuação nacional e maior profundidade em São Paulo. Não prometemos valorização nem empurramos produto: ajudamos a decidir com dados.
Checklist para quem quer sair do aluguel
- calcule o custo total de ocupação, não só a parcela: condomínio, IPTU, manutenção;
- compare a prestação simulada com o aluguel atual e com a sua folga de orçamento;
- monte a entrada antes de escolher o imóvel, não depois;
- verifique enquadramento em programas habitacionais e uso do FGTS;
- avalie a estabilidade da sua renda nos próximos anos;
- priorize localização e liquidez, não metragem máxima;
- desconfie de parcela que só cabe no orçamento sem imprevistos;
- trate o aluguel atual como etapa de acumulação, com meta e prazo.
Conclusão
Millennials e Geração Z não abandonaram a casa própria: reordenaram o caminho até ela. Os dados de 2026 mostram intenção de compra em alta, liderada pelos mais jovens, com o aluguel funcionando como etapa e não como destino. O que mudou de verdade foi o produto desejado, compacto, servido e bem localizado, e o processo de escolha, digital, comparativo e cético.
Para o mercado, a mensagem é dupla. Quem vende precisa de produto financeiramente viável e atendimento à altura da pesquisa que o cliente já fez. Quem investe encontra, na mesma geração, o inquilino de hoje e o comprador de amanhã.
E para quem está no aluguel sonhando com a compra, a resposta honesta é a de sempre: a decisão certa não é a mais rápida, é a que cabe no orçamento com folga e resiste a imprevistos.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra, venda ou investimento, nem análise individualizada de crédito. Pesquisas de mercado retratam intenções declaradas, que podem não se converter em transações, e seus resultados variam conforme metodologia e recorte etário. Consulte profissionais habilitados antes de decidir.
