23 de junho de 2026
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São Paulo vive um paradoxo imobiliário que confunde quem acompanha apenas as manchetes. De um lado, a cidade registra números de venda que beiram o recorde. De outro, uma parcela enorme da população, justamente a classe média, sente que existe cada vez menos imóvel novo adequado ao seu perfil e ao seu orçamento. Essa distância entre o que o mercado produz e o que a classe média procura virou um dos temas mais importantes para quem pensa em comprar, vender ou investir em 2026.
Na Dom Paiva Imóveis, acompanhamos esse movimento de perto e percebemos uma mudança clara no comportamento de compradores e proprietários. Entender o que está por trás desse cenário ajuda a tomar decisões melhores e a enxergar oportunidades que passam despercebidas por quem só olha o lançamento mais novo do bairro.
O que está acontecendo com o mercado imobiliário em São Paulo?
Os dados recentes do mercado imobiliário paulistano mostram uma atividade intensa. Foram mais de 150 mil apartamentos vendidos nos últimos doze meses, o que representa uma média superior a 410 unidades comercializadas por dia. Em volume, é um dos momentos mais aquecidos da história recente da cidade.
O detalhe que muda tudo está na composição dessas vendas. O estoque de imóveis novos chegou a aproximadamente 113 mil unidades, mas mais da metade desse estoque está concentrada em imóveis de até 350 mil reais. Boa parte desse volume é movida pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que responde por uma fatia expressiva das vendas e dos lançamentos atuais.
Em outras palavras, o mercado está vendendo muito, porém vendendo principalmente um tipo específico de produto. Para a classe média, que normalmente busca um padrão um pouco acima do limite dos programas habitacionais, a sensação é de que sobrou pouca coisa na prateleira.
Por que a classe média está encontrando menos imóveis novos?
A explicação envolve uma combinação de fatores econômicos e estratégicos. O custo de construção segue elevado, o crédito imobiliário continua caro e os juros pressionam tanto o incorporador quanto o comprador final. Diante desse cenário, as construtoras passaram a direcionar seus lançamentos para os dois extremos que oferecem maior segurança de venda, que são o segmento popular dentro do Minha Casa, Minha Vida e o alto padrão, que conta com um público menos sensível ao crédito.
O resultado aparece de forma evidente nos números. Apenas 12,7 por cento dos apartamentos lançados no último trimestre foram destinados à classe média. Para entender o tamanho dessa queda, vale lembrar que em 2021 esse percentual era de 32,8 por cento. O meio do mercado, que historicamente abrigava as famílias em busca do segundo imóvel ou do primeiro apartamento maior, foi perdendo espaço ano após ano.
Esse encolhimento se reflete no estoque disponível. Os imóveis de médio padrão representam hoje apenas 6,9 por cento do total ofertado. Quando algo aparece nesse perfil, costuma escoar com mais previsibilidade, ainda que o tempo médio de venda desse segmento gire em torno de dezesseis meses, o que mostra um público que pesquisa, compara e decide com cautela.
O imóvel usado bem localizado voltou ao centro da decisão
Diante da escassez de lançamentos no médio padrão, o imóvel usado deixou de ser plano B e voltou a ocupar o centro da decisão de compra. E faz total sentido. Um apartamento usado de dois ou três dormitórios, com boa planta, vaga de garagem, documentação regular e localização estratégica, oferece exatamente aquilo que a classe média procura e o mercado novo deixou de entregar em quantidade.
Há vantagens concretas nessa escolha. Imóveis usados costumam estar em bairros consolidados, com comércio, transporte, escolas e serviços já estabelecidos. Muitas vezes apresentam metragem maior do que os lançamentos atuais, que vêm reduzindo o tamanho das unidades para caber no preço. E permitem negociação direta sobre valor, condições e prazos, algo mais difícil em um lançamento na planta.
É importante ser honesto sobre um ponto. Nem todo imóvel usado é um bom negócio. Localização, preço, documentação, estado de conservação, valor de condomínio e liquidez continuam sendo fatores decisivos. Um apartamento com preço fora da realidade, condomínio elevado ou pendências documentais pode se transformar em dor de cabeça. Por isso a análise técnica faz tanta diferença, e é justamente nesse ponto que uma consultoria imobiliária experiente protege o comprador.
Aluguel em alta aumenta a pressão sobre quem adia a compra
Quem decide esperar o momento perfeito precisa olhar também para o outro lado da equação, que é o custo de continuar no aluguel. O aluguel residencial em São Paulo vem acelerando, com alta de 7,56 por cento em doze meses segundo o IVAR, índice que acompanha os contratos de locação. Esse movimento corrói o orçamento de quem adia a compra e reduz a capacidade de poupança ao longo do tempo.
A conta fica mais clara quando observamos os três lados que pressionam a classe média ao mesmo tempo. Existe pouca oferta de imóvel novo adequado ao perfil, o crédito segue caro e o aluguel sobe de forma consistente. Esperar indefinidamente, nesse contexto, raramente é a decisão mais econômica. O caminho mais inteligente costuma ser planejar a compra com critério, comparando o custo real de continuar alugando com o custo de um financiamento bem estruturado.
O que compradores devem fazer agora?
Para quem pretende sair do aluguel ou trocar de imóvel nos próximos meses, organização vale mais do que pressa. Algumas ações práticas ajudam a chegar à negociação em posição de força.
Fazer uma pré-análise de crédito antes de buscar imóveis, para saber com clareza qual valor o banco aprova e qual parcela cabe no orçamento.
Avaliar com seriedade os imóveis usados bem localizados, sem o preconceito de que só o lançamento entrega qualidade.
Comparar as formas de aquisição, incluindo financiamento bancário, consórcio e uso do FGTS, para escolher a combinação mais eficiente.
Analisar condomínio, IPTU, documentação e localização com a mesma atenção que se dá ao preço, porque esses fatores impactam o custo mensal e a revenda futura.
Evitar a armadilha de esperar o imóvel perfeito com preço fora da realidade, já que essa busca costuma adiar a decisão por anos enquanto o aluguel continua subindo.
Quem segue esse roteiro chega às visitas e às propostas com clareza sobre o que pode pagar e sobre o que está procurando, o que acelera o fechamento e reduz o risco de uma escolha equivocada.
O que proprietários de imóveis de médio padrão devem observar?
O outro lado dessa história é uma boa notícia para quem possui um imóvel de médio padrão. Com a oferta de lançamentos nesse perfil tão reduzida, o usado bem cuidado e bem localizado ganha relevância e desperta interesse de compradores que não encontram alternativa nova à altura.
Isso não significa, porém, que basta colocar uma placa e esperar. O momento pode ser favorável para avaliação, venda ou locação, mas dois fatores continuam determinantes. O primeiro é o preço realista, alinhado ao que o mercado de fato pratica na região, e não a uma expectativa emocional do proprietário. O segundo é a apresentação profissional, que envolve fotos de qualidade, descrição precisa, documentação organizada e divulgação nos canais certos.
Um imóvel bem posicionado vende ou aluga mais rápido e por um valor melhor. Um imóvel mal precificado ou mal apresentado encalha, perde força e acaba sendo negociado abaixo do potencial. A diferença entre os dois resultados costuma estar na estratégia adotada desde o primeiro dia.
Como a Dom Paiva Imóveis pode ajudar?
A Dom Paiva Imóveis atua como consultora imobiliária em São Paulo, com atuação em venda, locação, administração e captação de imóveis. Nosso papel vai além de mostrar apartamentos. Ajudamos compradores a enxergar oportunidades reais dentro do orçamento e do perfil de cada família, com análise honesta de localização, documentação, condomínio e liquidez.
Para proprietários, oferecemos avaliação estratégica baseada em dados de mercado, posicionamento de preço com critério e apresentação profissional do imóvel para venda ou locação. Conhecemos os bairros, entendemos o comportamento do comprador atual e trabalhamos para que cada decisão seja tomada com informação, e não com achismo.
Em um mercado tão desequilibrado entre o que se produz e o que a classe média procura, contar com quem entende o cenário deixa de ser um luxo e passa a ser uma vantagem concreta.
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